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"Eu vi o amor no terreiro dos povos", uma crônica especial para o Jornal do Tocantins

  • 15 de jul. de 2015
  • 2 min de leitura

O encontro foi de tamboreiros, mas teve olhares curiosos de gente que nunca viu nada igual. Teve criança batucando pela primeira vez com uma intimidade irreverente; moça apreciando de longe o número de tambores ali existente, também teve um senhor formoso com um gingado diferente, esperando ansioso pela sua rainha. E onde ela estava? Vestido sua saia, ora.

Dona Felisberta, feliz estava. Ela falava do amor pelo tambor. “Tambor é coisa de negro”, dizia. “Mas também tem muito branco que entra na roda dançando com harmonia”. Seu Marcio era tão Bello, que até no sobrenome sua beleza cabia. Criou um grupo bonito que toca com tanta alegria. “Tambores do Tocantins” é o nome da gente que mantém um amor exigente. Pelo que mesmo? Pelo tambor, uai. E que amor! Esse amor passou de pai pra filho. De filho pra irmão. De irmão com irmã.

Seu Márcio falou do efeito do tambor. “É isso que o tambor faz com a gente. Mexe com a nossa alma.” Teve até explicação do que isso é. E se você acha que é só um instrumento, vou te falar que está muito enganado no que é amar. “Tambor também é união. Se juntar para celebrar, sempre tem emoção.”

A irmã Ana aprendeu, com 65 anos que nem parecem seus, a mexer como uma criança que começou, ainda aos 10, a exalar seu amor através da dança. Mulher forte! Dança Tambor, Suça, Taiera, e até canta com alegria, uma tal de folia. Mas, também, não era pra menos. Ela é de Monte de Carmo, cidade que de pequena só tem o tamanho. Mas é grande, muito grande em cultura.

Além da irmã Ana, tem também a Mãe Ana. Mas quem é essa? Não, não é “essa”. E esse. Esse grupo veio lá de Natividade, só pra mostrar atividade e tocar com amor, o tambor na nossa cidade.

As mulheres dançam Suça e os homens tocam tambor e a viola afiada. Os casais se encontram na hora da dança Jiquitaia. Enquanto isso os tocadores também cantam, bonito demais. E só o encanto. Uma música que fala de uma formiga. Formiga que dói. “Ela morde no pé, na perna, e debaixo da saia. E a formiga Jiquitaia.”

Danuta Duarte, moça da capital do Tocantins, tem 24 anos, e nesse tempo todo, uma vez só tinha visto essa arte, e conta que nem tinha assim tanta alegria, quanto essa folia que se sucedeu em Taquaruçu, interior que ta recebendo cultura do estado inteiro, de norte à sul.

Os tamboreiros se chamam de mestre, o respeito é mútuo e a alegria também. Alegria de se encontrar, em um evento feito especialmente para tocar. Pensa que folia que foi. Mas foi com muita harmonia. Coisa bem feita, mesmo sem muita regalia, é que traz a verdadeira alegria.

Seu Márcio foi tão bonito, ao dizer que o MUTUM já começou grande. Que nem meu coração, que tão grande ficou, quando ouviu do senhor que se alegrou em ver tantos mestres juntos, tocando o som que ele ouviu a vida inteira, mas quase nunca nessa terra, que por si só já é amor. Como o tambor.


 
 
 

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