Sabedoria popular que mantém viva a arte de curar corpo e alma
- 12 de jul. de 2015
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Dona de um conhecimento riquíssimo sobre plantas medicinais, Dona Felisberta é dessas pessoas de uma sabedoria que foge do comum, sabedoria essa que vai além das plantas. Diz que pra ela “fitoterapia nada mais é que o famoso chá de vó”, não vê porque usar nomes complicados se é algo tão simples. É somente receber o que a natureza oferece, nada mais. Por isso ela dá logo um aviso: “Não adianta pegar muito da planta. Ela tem que se doar para você”, afirma com a certeza de quem já viu muita gente sendo curada.
Sob o olhar atento da plateia, Felisberta teceu sua paixão pelas plantas com uma memória de dar inveja: “O ipê cura câncer, o angico é pra anemia, a japecanga é um viagra natural, a copaíba é antibiótico, a mutamba serve para dar vida ao cabelo, mas para proteção espiritual bom mesmo é a alfazema”. Não tinha uma só planta que os participantes da oficina de Benzimento e Fitoterapia falassem que Felisberta não soubesse a serventia, o preparo e as quantidades certas de se utilizar.
A sabedoria popular dessa senhora de Natividade, passada de geração em geração, foi herdada da avó indígena e da outra quilombola. Foi com as avós, o pai e a mãe que Dona Felisberta aprendeu a arte de benzer e curar corpo e mente com as plantas do cerrado: “Tudo o que eu preciso tenho no quintal lá de casa. A coisa que mais me deixa feliz é cuidar das minhas plantas. Tenho verdadeiro amor por elas”.
Foi na mata ao lado do palco Terreiro dos Povos que os participantes da oficina também aprenderam a identificar as plantas milagrosas que existem na região e se surpreenderam com a infinidade de remédios naturais que existem ao nosso redor. Foi com um conselho simples que Felisberta mostrou a força das plantas na cura de doenças e no bem estar da nossa saúde mental: “Sabe quando você tá muito cansado? Abraçar uma árvore vai fazer você se sentir bem melhor”.
Mas não é só de planta que a Dona Felisberta entende. Ela sabe da importância não só de cuidar do corpo, mas também da alma: “Eu trabalho o lado material, com a medicina alternativa e o lado espiritual, com o benzimento”. Com a ajuda de dois companheiros ela deu início à reza. Em uma grande roda, cada participante pegou um um galhinho de jurema e de alfazema e Dona Felisberta foi logo dando um aviso: “Não é brincadeira, gente. Isso é pra vocês chegarem em casa e preparar um banho com as duas plantas. Vai proteger vocês”. É que toda planta de cheiro forte defende de energias negativas. Dado o recado, Felisberta cantou versos que todos acompanhavam:
“Somos parte da Terra
Ela é parte de nós
Pertencemos à Terra
Ela não pertence a nós”
Após o mantra, os companheiros nativitanos fizeram o que muitas avós ainda fazem: “Vamo ver se a arca tá caída, meu fi?”. E a oficina se encerrou com todos os partipantes saindo abençoados através da fé de Dona Felisberta.






























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