Mestres rabequeiros e violeiros de Buriti fazem do último dia do MUTUM um encontro para ficar na mem
- 13 de jul. de 2015
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Na tarde do último dia do MUTUM (12), o Terreiro dos Povos recebeu um encontro inesquecível da música popular regional do Tocantins, com os mestres tradicionais Nilo Rodrigues, da comunidade quilombola Barra da Aroeira, que fica em Santa Tereza do Tocantins, e os mestres Maurício e Arnon Ribeiro, da comunidade Mumbuca, na região do Jalapão.
É do buritizeiro, árvore encontrada de norte a sul do estado, que é feito um instrumento de corda usado há séculos e que carrega com ele as tradições e a história de comunidades quilombolas do Tocantins, e a cultura dos povos tradicionais do cerrado. Cada comunidade dá um nome diferente: o mestre Nilo chama de rebeca, já Maurício e Arnon chamam carinhosamente de viola de buriti ou violinha de vereda.
Foi com a presença ilustre desses músicos que aconteceu o Encontro de Rabequeiros e Violeiros de Buriti e a oficina de construção dessa viola. A oficina foi animada pelo som da viola de Arnon e Maurício, e pelo pandeiro e tambor de quilombolas. De um jeito brincalhão e irreverente, Nilo foi construindo e contando causos sobre viola. Com faca e cegueta na mão, ele dá forma à madeira com uma facilidade de dar inveja. Pelas suas mãos experientes, pouco a pouco a viola ia ganhando forma.
Enquanto Nilo cavucava a madeira do buritizeiro, ele explicava que antigamente as cordas eram de tala de Buriti, mas que hoje são feitas de linha pesca e mesmo assim dá um som bonito que só. Além disso, diz que tem maior respeito pela natureza e que eles não derrubam a árvore de Buriti: “A gente tira só a parte que a gente precisa pra fazer a viola”. Aí mestre Maurício já explica que pra dar certo “o buriti tem que tá bem seco. De preferência colhido no verão”.
Entre as cantorias na oficina é que os violeiros proseavam com os participantes. Mestre Maurício mesmo disse que aprendeu a arte de ser tocador de viola com os ensinamentos do avô. Perto de morrer ele sempre dizia: “Meu filho, você aprenda a tocar para que eu fique para sempre na sua lembrança e para que a nossa tradição não acabe”.
Sobre a preservação desse ofício de fabricação da viola de Buriti, Maurício se diz preocupado. É uma tradição, coisa que passa de pai para filho. “A gente vê todo dia a necessidade de manter essa tradição, mas mais jovens não querem mais aprender e os mais velhos, que tem conhecimento, estão morrendo”. Falou com tristeza e voltou a afinar sua viola canhota, com a sabedoria de quem tem o ouvido aguçado para coisas bonitas: “Eu afino e toco de ouvido. Não tive aula, não sei o que é dó, ré, mi. Sou do mato”.
Mestre Nilo conta todo orgulhoso que aprendeu o ofício com a mãe. “A primeira viola que eu fiz foi com 12 anos. Fui malinando e aprendi a tocar. Desde esse dia sempre carrego minha viola comigo, ela vai aonde eu for.”, diz com um brilho nos olhos e uma felicidade que não cabe no peito. Após a oficina, os olhares curiosos da plateia viram Nilo se juntar ao grupo para tocar a musicalidade da sua cultura quilombola: “Ô, de casa. Ô de fora. Vem a saudade e mando embora”.
À noite, no palco Sumidouro, toda a riqueza musical das duas comunidades se encontrou novamente para um show que exalava regionalidade e mostrava o orgulho da raiz e da cultura negra. Foi um momento especial em que a plateia se envolveu com a melodia das violas de Buriti. O espetáculo encheu a praça Joaquim Maracaípe de alegria, com a música simples e a letra que vem da alma do povo tocantinense.






























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