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Nascimento da Rabeca

  • 8 de abr. de 2015
  • 2 min de leitura

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Publicação extraída da Revista Patrimônio Cultural – Palmas – TO, Ano 1, n°3. Redação: Danilo Souza, Osmar Casagrande e Iolete de Souza. Foto: Benhur de Souza

Não é madeira de lei, mas é de lei que a madeira seja leve e de fácil corte, macia e obediente ao talho. É de ei que seja simples, como são simples os acordes. É de lei que não se revista de fausto nem brilhos outros tomados emprestados de instrumentos alhures. É completa em sua simplicidade de ser o que é: um instrumento da alegria, da comunhão nos acodes, um abraço e um aconchego na simplicidade.

Seu Nascimento doi assim. Por Rabeca o sobrenome, batizado que foi pelas rodas populares, amantes da simplicidade de sua música, de sua figura. Nascido no Piauí, município de Santa Filomena, Raimundo Nascimento Aguiar veio ao mudo em 1924 e, para a região do norte de Goiás, hoje Tocantins, em 1932. Cresceu no sertão, margem direita do rio Tocantins. A intimidade com a rabeca, arte e encanto, herdou do avô, rabequeiro nos seus tempos.

Sonhador, encantado com a vida como é de lei aos simples, Seu Nascimento da Rabeca sinhá, em idade madura, um sonho: conhecer a capital. Seus olhos maravilhados viam as modificações no sertão: o Canela, Buritirana, Taqauruçu e Taquaralto. E aí a maravilha acontecendo, Taquaralto se construindo numa rapidez vertiginosa, qual filme que se desenvolve em velocidade alterada, rápido, rápido, tomado de febre, de uma doideira, de um Deus-me-valha de urgência, num movimento que era até maior que a imaginação. E tudo isso, partes de uma realidade maior, Palmas, capital do Tocantins. Finalmente realizada seu desejo: juntou cada mínimo pedacinho de simplicidade, embrulhou no manto de devaneio, abraçou a rabeca e mergulhou na aventura de viver na capital.

A capital rendeu-se à simplicidade daquele rabequeiro cheio de beleza simples do povo da região e em 1993, apresentou a arte de sua rabeca, feita por ele havia mais de trinta anos. Como palco, todas as mídias; como pano de fundo, a FECOARTE, Feira de Artesanato, Folclore e Comidas Típicas do Tocantins.

Assim como a grandiosidade da capital encantava o homem simples, a grandiosidade da sua arte encantou a capital e Seu Nascimento da Rabeca passou a ser o símbolo da FECOARTE. Os sons daquela velha rabeca feita de tronco de buriti ganhou todo o estado do Tocantins. Seu Nascimento da Rabeca invadiu os meios de comunicação: rádios, TVs, folders, camisetas, cartazes... e corações. E foi seu coração, pequeno para conter tanta emoção que o levou, em 21 de maio de 1996, aos 72 anos, para o outro lado da vida, perpetuando em nossa memória a grandiosidade de sentimento de um sertanejo que fez da alegria seu auto de fé na vida.

 
 
 

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